Escrevendo uma ficção para a Marie Claire
Na verdade, tenho medo do que as pessoas pensam de uma mulher de 59 anos como eu. Sempre tive uma vida regrada. Desde a separação, nunca me imaginei casada com alguém novamente e sempre colhi relacionamentos casuais somente para continuar a me sentir mulher.
Minha única filha, a Bárbara, sempre foi uma menina incrível. Dedicada, inteligente, saiu de casa cedo e sempre me honrei por tê-la como filha. Ela sempre foi moderna e para acompanhá-la, tive de ler muito e observar outras mães (cujas características me enojam). Digamos que tenho uma filha incrível.
A Bárbara não queria casar. Nunca quis e nunca o fez até hoje. Porém, divide um apartamento com o namorado. Quando ela decidiu morar com o Pedro, eu não o conhecia e hesitei um pouco, mas ao conhecer o rapaz, na hora apoiei e apoio até hoje. Pedro é sem dúvidas um rapaz trabalhador e que a ama, mas que infelizmente não foi capaz de se conter.
Sei que muitos de vocês já começaram a imaginar o que acontece, mas o réu confesso sempre é mais romântico. Era Natal, há quatro anos mais ou menos. Bárbara foi dormir, enquanto eu e Pedro arrumávamos a casa. Era apenas uma cena comum de uma família. O apartamento tinha copos espalhados e como passaria a noite por lá, não me importei em ajudar. Na cozinha, enquanto estava com o corpo encostado na pia, Pedro veio e cheirou meus cabelos. Na mesma hora soltou quase que um sussurro e disse que o cheiro de mãe e filha eram iguais. Virei assustada e fiquei cara a cara com aquele que levava minha filha para a cama todos os dias. Uma loucura súbita invadiu o meu corpo e o beijei como nunca antes havia beijado alguém. Na mesma hora Pedro abriu a calça jeans e penetrou em mim como um animal, me rasgando por dentro e me molhando aos poucos com o que eu produzia. Trepamos por 10 minutos. Depois de gozar, Pedro saiu de mim, abaixou a cabeça e chorou.
Dia seguinte fiz rabanadas para Bárbara e fui embora. Não queria tomar banho, pois aquele cheiro me fazia tão bem que nem pensava ser do namorado da minha filha. Às três horas toca minha campainha. Era Pedro trazendo meus sapatos que propositalmente havia esquecido o par na sala de estar. Trepamos por algumas horas naquela tarde de Natal.
Eu e Pedro começamos a nos encontrar em outros lugares. Comecei a descobrir segredos e detalhes daquele que era o grande amor de minha filha. Cada vez que íamos para cama, sentia-me professora de um filho, de um pupilo aprendiz. Bárbara me contava segredos e eu, involuntariamente, contava à minha filha realmente o que seu amante queria dizer e queria que ela fizesse. Fui para cama com Pedro nas viagens da Bárbara, enquanto ela tomava banho, enquanto dormia na casa de verão, na minha cama, na cama do casal e em todos os carros da família. Gostava de pensar que ele amava minha filha e trepava comigo. Sentia-me a solução para que esse homem não a magoasse, pois aquele segredo nunca seria revelado por mim, como normalmente é feito por amantes inconformadas.
Essa noite foi a pior de minha vida. Há dias comecei a vomitar e conseqüentemente Bárbara também. Pensei ser a feijoada do sábado e fomos juntas ao médico. Na verdade, minha menopausa estava em transe e estava supostamente grávida. Bárbara também. Fizemos ultra-som e choramos juntas. Ela não queria que eu tirasse o bebê filho de um namorado bobo qualquer. Da mesma forma que ela quer tirar o bebê, fruto de seu caso com Fernando, irmão de Pedro, até então caso desconhecido por mim.
Pedi para que ela nunca, em hipótese alguma assumisse a paternidade de seu filho e ontem, “perdi” o bebê. A causa: Minha idade. A verdade: Citotec comprado através da empregada. Ela terá meu neto e está radiante.
Pedro veio me ver hoje – trouxe flores e chorou um pouco. O beijei e pedi que amasse meu neto como nunca amou nada neste mundo. Pediu desculpas pelo nosso filho e disse que voltaria em alguns dias com a Bárbara.
Levantei, entrei no escritório e escrevi este e-mail para a redação de vocês. Se vai ser publicado, eu não tenho a menor idéia, mas posso dizer que meu único amor no mundo é por um fruto do meu ventre. Só não posso ser julgada por ter tirado proveito de um homem e feito um favor para o meu amor. Pedro, sem dúvidas, será um ótimo pai e nunca mais terá tesão por mim e Bárbara nunca saberá que fui amante do meu genro durante 2 longos anos.
(Deixemos claro que esse texto é uma ficção criada por mim através dessa cabecinha doente numa tarde de quarta-feira de cinzas.)
Escrito por Clareador Cerebral às 14h41
[ ]
|