Me dê motivo...
Tá certo, eu tinha uns 17 anos, mas naquele dia eu entendi o que era sofrer por amor. Eu não sofria, era um amigo que, apaixonado por outra amiga, não entendia os porquês de muita coisa. Ele era mais velho que eu, aliás, ele era o mais velho de todos ali, mas o que valeu foi o momento.
Numa casa de forró qualquer em Pinheiros, quando forró não era moda, quando rock ainda era um mistério, quando Cordel do Fogo Encantado estava nascendo, nós, adolescentes de São Bernardo nos divertíamos com pinguinhas e um videoke. Eis que surge naquele objeto de diversão uma música famosa na voz do mestre Tim Maia: “Me dê motivo”. Enquanto esse amigo chorava suas mágoas no microfone, eu, humilde aprendiz da poesia, prestava atenção naquilo que tanto me machucou: Por que ele sofre assim?
“É engraçado, ás vezes a gente sente fica pensando Que está sendo amado, que está amando e que Encontrou tudo o que a vida poderia oferecer E em cima disso a gente constrói os nossos sonhos Os nossos castelos e cria um mundo onde tudo é belo Até que a mulher que a gente ama, vacila e põe tudo a perder E põe tudo a perder...” (Tim Maia em Me dê motivo) Pensa se isso não é lindo. Lembro que essa amiga apenas não gostava dele, mas com o seu amor maduro, ele sofria. Foi tão mais fácil para ela Mon Dieu! Comecei a me questionar sobre o que era o amor ali, além de Tim Maia ter ganho uma grande fã até hoje. O mais engraçado é que não imagino se essas pessoas lembram dessas histórias. Eu não tenho nenhuma vergonha da minha adolescência, pelo menos não gostava de coisas enlatadas e bobas, sempre fui uma menininha chatinha com cultura, mas em relação ao meu coração, como era uma criança! Eu namorava na época um menininho, achava que teria a vida com ele, era feliz. Pouco tempo (ou anos) depois, nos separamos e hoje ele é um jovem empresário. O que eu tenho com isso? Nada! O que isso me legou? Tudo.
Escrito por Clareador Cerebral às 15h03
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Durante o ano...
Telefone tocou, era ela.
Quando ele atendeu, suspiro.
Quando houve o convite, suspense.
Enquanto ele pensava, espera.
Quando ela o viu, sorriso.
Ela o beijou, surpresa.
Ele a despiu, arrepio.
Eles se amaram, encontro.
Ele a fez dormir, carinho.
Ela acordou e o olhou.
Foi ali, o beijou e disse adeus.
Ele a levou até a porta, cansado.
Separaram-se felizes. Lembranças.
Escrito por Clareador Cerebral às 10h49
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