Um dia no castelo
Ele se levantou e suspirou enquanto ela vestia rapidamente a roupa. Já foi feito o feito, portanto, não há mais o que voltar atrás. Com seu jeito de menina faceira, pedia para que ele se vestisse, mas nu ainda a observava. Não queria ser um objeto apenas para não se sentir como havia predestinado a ele naquela noite fria de um começo de inverno. Falaram de passado, mas ela cada vez mais ria do presente enquanto aquele homem não entendia absolutamente nada.
Será que ela é louca? Pensou o mocinho das histórias mais malucas do mundo, sabendo que ali, ela apenas ria para um príncipe nada encantado em seu filminho pessoal. Desceram a escada lentamente, enquanto ela respirava e sentia a temperatura de cada partícula minúscula da umidade do ar. Já ele, não entendia bem o que fazia ali, mas se sentia bem em ter sido usado e começava a partir dali, aproveitar sua extorsão pessoal sexual. Adorou aquela falsa sensação de poder que ela transpirava e a deixou fingir pelo resto da noite, quando se despiram mais uma vez em outro canto da casa fria e fizeram amor de mentira, conseguindo os dois o coito delicioso do orgasmo.
Quando se vestiu (mas dessa vez de verdade) e ela ficou nua sob o roupão felpudo, percebeu a importância daquela noite e ali pairava uma sensação de desespero. Dois amantes sem entender absolutamente nada, pós-sexo, e naquele momento perceberam que o sexo não era nada. Gozar era supérfluo e o que fica para história é aquele sentimento que não precisava ser dito. Não disseram o clichê “eu te amo”, pois o momento não permitia. Beijaram-se com ternura, e ele se foi em meio ao sereno da cidade.
Ela se deitou e dormiu nua como uma princesa.
Mariana Perin
Escrito por Clareador Cerebral às 18h27
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