Pessoas no mundo.
Cada ser humano tem sua responsabilidade na história do mundo. Todos nascemos por algum motivo, e às vezes somos respostas ou resultados de grandes feitos históricos. Hoje, é um dia em que pensei nos pais de Fernando Pessoa, nos pais de Vinicius de Morais, no berço de Chico Buarque ou na louca mãe de Sid Vicius. Tudo isso, pois questiono qual é a função das pessoas, uma na vida da outra. É como se fosse um quebra cabeça, que ao completar-se, vemos o planeta terra de cima, como uma enorme platéia assistindo a rotação do mundo.
Cada pessoa que aparece na minha vida tem uma função - ainda não sei qual específica, mas tem. Algumas amigas vão e vem com a mesma facilidade com que leio páginas incansáveis de algum livro. Acho que se separasse a minha vida em capítulos, os nomes seriam os mais estranhos possíveis:
1 - Infância estranha, descobrimentos à parte.
2 - O Teatro Infantil
3 - Aborrescência c/ cortes de cabelo
4 - Meu primeiro amor
5 - A descoberta da boa leitura
6 - A espera de um príncipe encantado
7 - Sexo, Drogas e Muita música
8 - Meu amadurecimento peculiar
9 - Ter 20 e poucos anos
10 - Outros capítulos.
Quando decidi dividir minha vida, agorinha a pouco em capítulos, nem imaginava no que iria dar. Na verdade, nem deu em nada, mas se lembrarmos de cada detalhe de nossa vida de vez em quando, conseguiremos manter sempre vivo um álbum de memórias dentro de nós. Ontem li o Clareador de ponta a ponta, e vi tudo que já escrevi. Meu primeiro texto interessante, as mulheres e suas propriedades, a dor de se amar. Não sei, quando escrevo, parece que é um combustível para a minha alma, sem medo do que pessoas possam pensar.
Esse é o intuito de um blog certo? Ser um diário! Virtualmente falando, isso é frio demais, mas gosto desta minha propriedade habitada por amigos e eventualmente um namorado. Gosto que as pessoas saibam da minha vida, se estou triste ou feliz. Gosto de ter palavras que possam ser roubadas por alguém, e palavras de identificação com outro alguém. A Nathy sempre pega emprestada alguma coisa por aqui. Mas me questiono o que eu levarei disto tudo.
Levarei o gosto pela escrita mal elaborada nessa vida moderna, sem tempo para sequer uma pausa de respiração. Pelos amores mal vividos que serviram de inspiração. Levarei na lembrança o gostinho da vingança, ou meu ódio pelas mulheres - mesmo elas ainda sendo minhas melhores amigas. Minha admiração por peles de pelos grossos e mãos grandes. Meu amor pela poesia, seja ela de botequim ou da biblioteca municipal. Gosto de palavras - mal faladas, sujas, mas que saiam pelo mundo e deixem um legado.
Quem sabe um dia escreva um livro. A biografia de minha família com certeza seria censurada pela própria e pelo governo. Quem sabe monte uma banda p/ cantar e meus males espantar... De tudo isso, o mais próximo é escrever mais alguma peça, e deixá-la guardada numa pasta do desktop nomeada: peçasmari.
Acho que todos são assim. Todos somos assim. Não me arrependo de tudo que vivi, mas sinto falta de ter sido uma criança a brincar até meus 12 anos. Larguei meus brinquedos aos 9, e já aos 10 eles foram substituídos por paixões. Saudade é uma palavra melancólica, mas saudável e que adoro sentir.
Alguns episódios serão eternos. Agradeço a todos vocês por fazerem parte desse cérebro, que cada vez mais fica obscuro. Que bom não! Mais vale um cérebro confuso a um coração claro!
Se isso for um clareador cerebral, não me chamo Mariana Perin.
Beijos
Escrito por Mariana Perin às 13h47
[ ]
|